Pressão de oferta, escalas confortáveis nos frigoríficos e temor envolvendo União Europeia, China e Estados Unidos aumentam cautela no mercado do boi gordo brasileiro
O mercado do boi gordo voltou a registrar forte pressão nesta semana e reacendeu o sinal de alerta entre pecuaristas de diversas regiões do Brasil. Em São Paulo, principal praça pecuária do país, a arroba acumulou queda de R$ 5 em apenas dois dias, segundo levantamento da Scot Consultoria, refletindo um ambiente marcado por aumento da oferta de animais terminados, escalas de abate mais confortáveis e incertezas envolvendo importantes mercados compradores da carne bovina brasileira.
Além da tradicional pressão sazonal típica deste período do ano, o setor acompanha com atenção os desdobramentos relacionados às exportações brasileiras, especialmente diante das movimentações da União Europeia, China e Estados Unidos. Analistas avaliam que o cenário internacional adicionou um componente extra de cautela ao mercado físico do boi gordo, justamente em um momento em que a oferta interna começa a ganhar força em várias regiões do país.
De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o movimento de baixa passou a atingir estados que até então demonstravam maior resistência às quedas, como Mato Grosso. Segundo ele, em regiões onde a pressão baixista já havia sido intensa durante abril, o mercado agora apresenta uma acomodação, embora Minas Gerais ainda registre negócios abaixo das referências médias.
Em São Paulo, os dados da Scot Consultoria apontam que o boi gordo comum fechou cotado a R$ 350/@, enquanto o chamado “boi-China” caiu para R$ 355/@ na quarta-feira (13). Apenas no dia anterior, os preços já haviam recuado R$ 2/@, fazendo com que a desvalorização acumulada chegasse a R$ 5/@ em 48 horas.
As fêmeas também sofreram recuos relevantes. A vaca gorda passou a valer R$ 320/@, enquanto a novilha terminada foi negociada a R$ 333/@ na praça paulista.
Oferta maior dá poder aos frigoríficos
Segundo analistas da Scot Consultoria, o cenário atual favorece os frigoríficos, que vêm conseguindo adquirir animais com relativa facilidade. Isso tem permitido o alongamento das escalas de abate, reduzindo a necessidade de disputar boiadas no mercado físico.
A Agrifatto também aponta que a maioria das indústrias frigoríficas intensificou a pressão de baixa sobre os preços, aproveitando o aumento gradual da disponibilidade de animais terminados no país.
Apesar disso, o comportamento do mercado não ocorreu de maneira uniforme em todas as regiões brasileiras. Enquanto estados como Alagoas, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro registraram leves recuos, algumas praças importantes mantiveram firmeza ou até apresentaram valorização nas cotações.
Segundo levantamento da Agrifatto, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Rio Grande do Sul e Tocantins registraram altas na arroba durante a semana.
No Mato Grosso, por exemplo, o preço médio da arroba ainda aparece entre os maiores do país, girando em torno de R$ 355,27/@, embora também tenha apresentado leve retração em relação ao dia anterior.
Exportações entram no radar do mercado do boi gordo
Além da oferta interna, o mercado acompanha atentamente as incertezas envolvendo o comércio internacional da carne bovina brasileira.
A sinalização da União Europeia sobre uma possível suspensão das compras de proteína animal brasileira a partir de setembro de 2026 aumentou a tensão no setor e passou a influenciar diretamente o comportamento dos frigoríficos e compradores.
Ao mesmo tempo, o mercado chinês vive um momento de desaceleração temporária nas negociações às vésperas da SIAL Shanghái 2026, considerada uma das maiores feiras de alimentos e bebidas da Ásia.
Segundo relatório da Agrifatto, importadores chineses reduziram o ritmo das compras para aguardar melhores condições comerciais durante o evento presencial, criando um ambiente de “paralisia comercial” momentânea.
Como consequência, o valor do dianteiro bovino exportado pelo Brasil para a China sofreu recuo de 3,5% nesta semana, ficando entre US$ 6.700 e US$ 6.800 por tonelada.
Mercado atacadista também demonstra fragilidade
No atacado, os preços da carne bovina seguem relativamente estáveis, mas o ambiente de negócios demonstra perda de força no consumo durante a segunda quinzena do mês.
A Safras & Mercado avalia que existe pouco espaço para reajustes positivos nos próximos dias, especialmente diante da concorrência mais agressiva das proteínas substitutas, como a carne de frango.
Os cortes bovinos permaneceram com os seguintes valores médios:
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Quarto traseiro: R$ 27,50/kg
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Quarto dianteiro: R$ 21,50/kg
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Ponta de agulha: R$ 20,00/kg










































































































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