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Brasil

11/10/2017 14:48 h

Mulher morre ao fazer cirurgia plástica com um médico do trabalho

 Mulher morre ao fazer cirurgia plástica com um médico do trabalho

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou, nesta terça-feira, que abrirá sindicância para apurar a morte de uma mulher em decorrência de uma cirurgia em uma clínica de estética localizada em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade. Embora o médico responsável pela paciente tenha atuado como cirurgião plástico, sua qualificação no site do Cremerj indica que ele está registrado como médico do trabalho.

A família de Alessandra Machado, de 35 anos, agora quer divulgar o caso para alertar as pessoas sobre a atitude do médico Mauricio Teixeira de Britto, além de chamar atenção para o que aconteceu com a enfermeira, mãe de uma adolescente de 13 anos.

Para que o caso seja investigado, procuraram a polícia e denunciaram o profissional que atendeu Alessandra e prometeu fazer abdominoplastia, laqueadura e lipoaspiração por R$ 16 mil. Segundo a Polícia Civil, os fatos ocorridos na clínica estão sendo investigados pela equipe da 32ª DP (Taquara). Os agentes trabalham com a hipótese de homicídio culposo, mas necessitam do resultado dos laudos cadavérico e de engenharia para declinar sobre a autoria do crime.

De acordo com Elena Machado, de 37 anos, sua irmã ouviu de um médico que os três procedimentos que ela queria fazer não poderiam ser realizados simultaneamente. E apenas para a abdominoplastia, havia cobrado R$ 20 mil. No entanto, sem desistir das cirurgias, Alessandra buscou uma segunda opinião. Ao se consultar com o médico Mauricio, ela escutou a resposta que estava buscando, conforme o relato de Elena.

— Temos uma amiga que fez 'lipo" com ele e deu tudo certo. O primeiro médico disse que ela precisava emagrecer 10 quilos para realizar laqueadura e "lipo" no mesmo dia, mas que a abdominoplastia não poderia ser realizada junto. Já o outro disse que ela não precisava emagrecer tanto assim, que uns dois quilos só estaria bom, que poderia fazer os três procedimentos. E ainda falou que o preço do primeiro médico era "um absurdo" — frisou Elena, que trabalha como manicure no salão da família, onde também Alessandra atuava como cabeleireira.

Com duas profissões, uma filha de 13 anos e um marido, ela alimentou o sonho de realizar as cirurgias e, mesmo ouvindo conselhos da família para que esperasse até o ano que vem para fazer a cirurgia, decidiu prosseguir. Elena contou que o médico da irmã garantiu que, em caso de complicação na cirurgia, haveria uma ambulância à disposição. No entanto, ela afirmou que o socorro demorou uma hora para chegar.

— A demora prejudicou. Aplicaram muita adrenalina nela e tentaram reanimá-la por uma hora. Mas o médico não apresentou os riscos da cirurgia em momento algum. Pelo contrário, ele passou muita tranquilidade, disse que como ela jovem e saudável, sem problema no coração, aguentaria passar pelas três no mesmo dia. Ele enganou a minha irmã. Esse era o sonho dela e ele se aproveitou. A Alessandra foi uma presa fácil para ele — salientou.

Para Elena, o profissional que atendeu sua irmã deve perder a licença de exercer a profissão.

— Ele está lidando com vidas e em momento nenhum visou a vida ou a família dela.

Após a primeira consulta, um mês se passou até a cirurgia. Durante esse período, Elena contou o quanto sua irmã aparentava estar feliz.

— Ela tomava antidepressivo e ansiolítico, porque tinha depressão, pânico e transtorno de ansiedade, mas ela estava muito feliz, muito animada, concluiu os exames e fez churrascos nos dois domingos que antecederam a data marcada da cirurgia para reunir a família — afirmou a irmã da paciente, lembrando do último domingo, quando ocorreu o velório e enterro de Alessandra.

— Isso é muito revoltante. Ele não tirou só a vida dela, tirou sonhos e planos. Ele interrompeu isso. E também para a família dela, para a filha de 13 anos, que tem ficado com a minha mãe. Que seja feita a Justiça e que ele pague pelo o que fez. É isso o que a gente quer para que não venha outra família passar por isso. Estamos divulgando a história para salvar outras vidas, para a morte dela não passar despercebida e que outra família não sofra o que a gente está sofrendo.

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Fonte: Jornal Correio do Vale


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