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Saúde

09/10/2017 10:58 h

De mais 300 mil casos para menos de 4,5 mil, Rondônia reduz índice de malária

De mais 300 mil casos para menos de 4,5 mil, Rondônia reduz índice de malária

Rondônia chegou a ser responsável por metade dos casos da malária no país no final da década de 80 e por 25% nas Américas com o registro de 300 mil casos. A doença que ainda desafia o mundo, mobiliza pesquisadores e explodiu em Rondônia, hoje encontra-se muito mais ‘tranquila’ para os rondonienses. De janeiro a agosto deste ano foram notificados apenas 4.382 casos.

O levantamento é do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica – Malária (Sivep–Malária) da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (SVS/MS) com dados atualizados em 14 de setembro e sujeito a alterações. Três municípios concentram 75% dos casos da doença. São eles Porto Velho (1.938), Candeias do Jamari (947) e Machadinho do Oeste (417).

Também registram casos da doença os municípios de Alta Floresta do Oeste (9), Alto Alegre dos Parecis (4), Alto Paraíso (82); Alvorada do Oeste (16); Ariquemes (236); Buritis (45); Cabixi (1); Cacaulândia (1); Cacoal (7); Campo Novo de Rondônia (2); Cerejeiras (1); Costa Marques (12); Cujubim (133); Guajará-Mirim (158); Itapuã do Oeste (122); Jaru (20); Ji-Paraná (31); Mirante da Serra (10); Monte Negro (7).

E ainda Nova Brasilândia do ‘Oeste (5); Nova Mamoré; (32); Nova União; (4); Ouro Preto do Oeste (24); Pimenta Bueno (10); Pimenteiras do Oeste (1); Presidente Médici (6); Rio Crespo (18); Rolim de Moura (9); Santa Luzia D’Oeste (1); São Francisco do Guaporé (1); São Miguel do Guaporé (4); Theobroma (15); Urupá (10); Vale do Anari (18); Vale do Paraíso (3) e Vilhena (22).

Dos sete estados da região Norte, Rondônia ocupa o 6º lugar entre os que concentram mais casos, apenas o Tocantins conseguiu um resultado melhor. É no Amazonas, Acre e Pará que a malária tem feito mais vítimas. A malária é endêmica na Amazônia. A região concentra 99% dos casos da doença do país.

Esse cenário mais favorável no controle da malária em Rondônia é resultado de um esforço conjunto onde às pesquisas em ciência e tecnologia em saúde ocupam papel fundamental para o combate e controle da doença.

O Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem/Sesau), que está localizado em Porto Velho em uma área do Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron), acompanha o controle da malária em Rondônia há décadas, ainda quando era Centro de Pesquisa em Malária do Vale do Guaporé, localizado em Costa Marques.

‘‘Foram estudados todos os parâmetros de epidemiologia e entre o final dos anos 80 e início da década de 90 o Cepem, juntamente com a Universidade de Brasília e outras instituições nacionais, testou a primeira vacina contra malária do cientista colombiano Manuel Elkin Patarroyo, e se provou que a vacina não tinha os efeitos desejados’’, relembra o diretor do Cepem, médico e pesquisador Mauro Tada.

A partir daí os esforços se concentram na área terapêutica e controle vetorial. ‘‘A malária é o carro-chefe das pesquisas do Cepem, que faz parte da Comissão Nacional para o Controle da malária criado pelo Ministério da Saúde. Isso faz com que a gente tenha um certo peso nas decisões que se tomam no país em relação a terapêutica e condutas de controle da doença’’, considera.

Com pesquisas básicas e práticas e também os ensaios clínicos, o Cepem tem dado importantes contribuições para o controle da malária em Rondônia. ‘‘A partir do momento que a gente avança com pesquisas multicêntricas com o Pará e o Amazonas, por exemplo, a gente percebe qual o melhor tratamento para a malária. Inclusive no próximo ano o tratamento da malária falciparum deve mudar’’, revela.

Além de alertar quando um tratamento já não está sendo eficiente, o Cepem também busca novos medicamentos. ‘‘Através do Polo [de referência em Pesquisa, Formação, Desenvolvimento, Inovação e Difusão em Saúde (PID) no estado de Rondônia], pesquisadores estão buscando plantas medicinais que têm uma eficácia no tratamento da malária’’, destaca.

Também há uma preocupação de eliminar os gargalos no controle da malária. Um deles a interrupção do tratamento. ‘‘Nesse sentido, o Dr. Dhélio Pereira está a frentes de testes de medicamento que são usados fora do país, mas ainda não no Brasil, para verificar a possibilidade de substituição de algumas medicações como a primaquina pela tafenoquina. A primaquina você tem que tratar em sete dias dose dubla ou 14 dias dose simples. A Tafenoquina é dose única. A vantagem é ter a certeza que o paciente tomou o remédio, porque a maioria toma somente os primeiros dias e depois para e aí vem à recaída’’, explica.

DA EXPLOSÃO AO CONTROLE

E é assim, de pesquisa em pesquisa, que Rondônia deixa para traz o caos que viveu no auge dos casos de malária. De acordo com o diretor do Cepem, migração, intensa atividade garimpeira e avanço sobre áreas florestais potencializava nas décadas de 70, 80 e início dos anos 90 a transmissão da malária no Estado.

‘‘Todas as questões envolvendo malária sempre seguiram as migrações em regiões endêmicas. Então em Rondônia, a partir da década de 70, quando o governo federal abriu fronteiras na região amazônica, teve a chegada de pessoas que nunca tinham tido a doença, e houve esse surto de malária’’, relembra Tada.

Segundo o diretor, neste período havia uma mobilização mundial para erradicação da malária. As principais estratégias de combate era um tipo de medicamento que curava todos os tipos de malária e inseticida. ‘‘A Organização Mundial da Saúde acreditava que essas duas ‘armas’ iriam erradicar a malária no mundo, como aconteceu com a varíola, por exemplo, onde a vacinação resolveu. Mas em 1992 ficou decido, em uma reunião em Amsterdã, que não havia mais possibilidade para erradicação e sim para o controle da malária’’, conta.

Dava início aí ao Programa de Controle da Malária no mundo que persiste até hoje. ‘‘As ações passaram a ser focadas no tratamento do paciente e fazendo bloqueio de transmissão. A ideia é chegar ao um menor tempo de tratamento para controlar a malária’’, explica Tada. E em novembro de 2015, o Brasil definiu um novo programa com o objetivo de eliminar a malária falciparum, o tipo mais letal.

De acordo com o diretor do Cepem, a malária falciparum chegou a muitas regiões aos menores patamares já registrados. ‘‘Nas regiões que a malária é residual a probabilidade de eliminar é muito grande’’, aponta Tada. Em Rondônia, os tipos de malária predominantes são vivax e falciparum.

O Cepem começa a investigar os gargalos para a eliminação da malária falciparum, como a transmissão da doença em populações flutuantes, a exemplo dos garimpos.

Mas para o médico pesquisador, o maior problema do Brasil hoje é a malária vivax.  ‘‘A malária vivax no seu ciclo tem uma possibilidade de transmissão muito mais rápida que a falciparum e desenvolve em seu ciclo fatores que impede ou dificulta o controle dela. Uma delas são as chamadas recaídas que ajudam na disseminação e expansão da doença. Um único caso pode ocasionar um surto enorme’’, revela.

Segundo Tada, nos últimos anos foram registradas muitas mortes em decorrência da malária vivax. A doença por si só, tratando, não é letal como a falciparum, mas associada a outras se torna grave como, por exemplo, a combinação dengue com malária vivax. Diferente da falciparum, na vivax, mesmo tratada, persiste uma forma que permanece no fígado, chamada hipnozoíta, e que depois meses reaparece na forma sanguínea.

O Cepem trabalha para eliminação da malária vivax. Segundo Mauro Tada, a ideia é focar nos municípios com malária residual. ‘‘Temos que inovar na eliminação dessa malária que tem pontos bem definidos. Podemos bloquear a área e tratar a todos ou fazer o exame em todos e quem tiver positivo tratar’’, explica.

Esforços como esses, em pesquisas e busca de soluções para frear os casos de malária, têm levado o estado de Rondônia a ser reconhecido dentro e fora do país. Inclusive na semana, passada a convite da Secretaria Municipal de Saúde de Joinville, o diretor do Cepem compartilhou as experiências adquiridas em Rondônia na palestra ‘‘Aspectos epidemiológicos, clínicos e laboratoriais da malária’’.

A malária ainda deixa Rondônia, o Brasil e o mundo em alerta, requer uma mobilização conjunta para alcançar resultados melhores e a pesquisa é ferramenta estratégica para os avanços no enfrentamento a doença.

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Fonte: Secom - Governo de Rondônia


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